Death – Spiritual Healing (1990)

Mais esclarecido e mais introspectivo ☢

Spiritual Healing marcou um período conturbado para a banda. Versa a história que uma treta foi plantada por Terry Butler e Bill Andrews para realizar uma turnê europeia sem a presença de Schuldiner, que evitava viagens longas por medo de voar de avião. Para tanto, os caras recrutaram os músicos Walter Trachsler (guitarra) e Louie Carrisalez (vocal), ambos da banda Thrash Metal Devastation. Ao tomar conhecimento da história, Chuck, o líder da banda ficou tão aborrecido, que os demitiu e posteriormente, entrou com uma ação judicial contra os ex-companheiros. Desde então, passou a dar preferência a músicos contratados. O que não abalou a forma de compor e o desenvolvimento do trabalho criacional.

Nesse contexto, este acabou sendo o único álbum do qual participa o guitarrista James Murphy. Sendo, por outro lado, o segundo e último do baterista Bill Andrews, e do baixista Terry Butler. Não obstante, ambos participaram das sessões de gravação das demos do disco seguinte. E, talvez, assinalando a ideia de rompimento com os padrões antigos de pensamento, este foi o último álbum em que também trabalhou com o artista Edward J. Repka, que desenhou capas para inúmeras bandas thrash e death metal.Um álbum em que Chuck abriu espaço para as questões sociais, porém tratadas de uma perspectiva filosófica. Apesar de não ser conceitual, os temas expressam uma narrativa segundo a qual Chuck demonstra versatilidade, capacidade de interpretação de síntese.

Com este álbum ver-se que a banda começou a abandonar a velocidade implacável e a ferocidade muitas vezes sem sentido que faziam mais sentidos nas suas adolescências. Os temas sanguinários, que caracterizam a infância do Death Metal, começaram a dar espaço a um tipo de lirismo em que Schudiner abriu a mente para uma visão mais filosófica. Na prática, isso significou a incorporação pela banda de estruturas musicais mais complexas e dinâmicas. Passaram então, a explorar em suas letras, temas menos insidiosos e mais esclarecidos, com abertura para tratar dos males da humanidade e das injustiças da sociedade. “Spiritual” é, para este que vos escreve um dos passos mais significativos da banda em direção aquilo que se tornaria. Pessoalmente, prefiro temas que abordem as questões reais, pois assuntos que falam exclusivamente de morte e de mutilação soam muito sem sentido para mim. Aliás, um conceito muito oportuno para o momento atual do país, no qual falsos líderes religiosos metem a mão no bolso dos seus seguidores em plena crise pandêmica, tirando-lhes até o que não têm.

A produção do disco foi realizada por Eric Greif (Autopsy, Immolation, Atheist, Broken Hope, Cynic, etc.) com o suporte de Chuck Schuldiner. Musicalmente, neste álbum Chuck e seus companheiros conseguiram realizar um trabalho quase perfeito de composição, instrumental, letras e a execução no estúdio.

NOTA: 9/10.


Referências:

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