The Mist – Discos que são importantes para a vida de muita gente

“Formação clássica reativada para turnê comemorativa”

Banda que dispensa apresentações. De qualquer forma – para quem não é da época – THE MIST foi fundada em meados de 1986 por Vladimir Korg (vocal), que recrutou Christiano Salles (bateria), Reinaldo “Cavalão” (RIP), Roberto Lima (guitarras) e Marcelo Diaz (baixo). O grupo fez história numa época romântica (olhando agora) para o metal nacional e ganhou popularidade entre os fãs da música pesada graças a sua persistência e vontade de fazer tudo diferente.

Contaremos agora um pouco dessa história através de um percusso que passa por todos os discos da banda. Ajude-nos a melhorar, dando feedback:

Phantasmagoria (1989) se encaixa perfeitamente numa época em que os gêneros mais aclamados em BH foram o Thrash Metal e o Death Metal. Com renomados expoentes como Chakal, Sarcófago, Sepultura, Overdose, Holocaust, etc… The Mist acabou se tornando uma das bandas mais populares no país. O disco contem 10 faixas de um thrash metal técnico e pesado que os diferenciava das demais bandas que, em geral, pendiam mais para a música extrema. Mesmo com uma produção crua e sem muita experiência no estúdio, os caras conseguiram fazer um excelente disco para os padrões da época. As letras, escritas por Korg são extremamente críticas, dirigindo-se especialmente para a política e religião. Ele sempre teve apreço pelas questões sociais e políticas e sobre elas tem domínio absoluto. As letras também possuíam certa inclinação depressiva o que, por sua vez, denotava uma visão destrutiva que realçava a crítica à decadência da sociedade e aos dogmas da religião. A formação que gravou esse disco contava com Vladimir Korg (Vocals), Reinaldo Bedran (Guitars, R.I.P. 1991), Roberto Lima (Guitars), Marcello Diaz (Bass, backing Vocals), e Christiano Salles (Drums, backing Vocals).

The Hangman Tree (1991), o segundo álbum, apresenta-se como uma evolução para o som da banda. A gravação situa-se perfeitamente num meio-termo entre o primeiro e o terceiro disco. Este trabalho está nos estágios iniciais do que hoje chamamos de metal industrial. Apensar de haver sido gravado no início dos anos noventa, é notório o espírito oitentista nele presente – o que, para todos os efeitos, é bom. Aqui, a banda conseguiu introduzir mais nuances rítmicas que enriqueceram as harmonias. Há até alguns segmentos de teclado com som de cordas emulados e coros vocais que serviram para criar os climas soturnos. Jairo Guedz assumiu as guitarras nesse álbum e aqui seu estilo em nada lembra o seu passado com o Sepultura. Em alguns momentos faz coisas mais complexas como entrelaçar notas mais altas que simbolizam suas inclinações progressivas. A formação que gravou esse disco era composta por Vladimir Korg (Vocals), Jairo Guedz (Guitars), Marcello Diaz (Bass, backing Vocals), e Christiano Salles (Drums, backing Vocals).

Ashes to Ashes, Dust to Dust (1993), o título do trabalho soa mais como um epitáfio do que como o novo começo que o disco representa. Depois de duas obras relativamente complexas, a banda redefiniu suas configurações sonoras para algo furioso e barulhento. Todavia, independentemente de quão inesperado isso possa ter sido para a base de fãs, a banda parece apenas ter seguido o fluxo normal da correnteza. Isto equivale a dizer que era o que a maioria das bandas praticava. Ou talvez não tanto, se você pensar com cuidado, verá que todos os contemporâneos estavam fazendo a sua própria “reviravolta industrial” na época. Bem, ao que parece isso foi uma forma de se adaptar ao ambiente volátil dos anos 90, mas pelo menos neste disco de 33 minutos, o compromisso da banda com suas raízes foi o bastante para manter os fãs antigos felizes. Aqui, as principais diferenças são 1) a sonoridade mais limpa, 2) harmonias menos progressivas e mais dinâmicas, 3) os vocais sob efeito de sintetizadores e, claro, 4) melhor produção. Particularmente acredito que, principalmente no âmbito do Metal, qualquer movimento em direção a uma corrente considerara “da moda”, pode ser muito arriscado, mas também creio que a discussão sobre orientação sonoro-musical sobre esse disco pode ficar restrita ao campo das preferências individuais. A formação que gravou esse disco era Jairo Guedz (Guitars), Marcello Diaz (Vocals/Bass) e Christiano Salles (Drums, Vocals).

Gottverlassen (1995) é o último álbum da banda e devo dizer que eles encerraram suas atividades com chave de ouro! Eu descreveria a música aqui presente como algo diferente no qual as principais referências são Sepultura, Prong e Machine Head (que acabara de nascer). Eu não consigo dizer quem dentre os citados tem mais peso nas influências, mas afirmo que a banda conseguiu imprimir sua marca – que foi se construindo disco-a-disco ao longo dos anos. O álbum não é uma demonstração de habilidades técnicas e com certeza eles nem mesmo tentam demonstrar isso, mas ao contrário, o power-trio construiu riffs memoráveis e estruturas sólidas e cativantes. A banda parece ter evoluído dentro da proposta do disco anterior e esse trabalho apontava para um futuro promissor. A formação que gravou esse disco contava com Cassiano Gobbet (Vocals, Bass), Christiano Salles (Drums), Jairo Guedz (Guitars). Fábio Andrey (Guitars) completou a formação posteriormente.

Após 20 anos de ausência e para comemorar os 30 anos do seu primeiro disco, Phantasmagoria, a banda anuncia o seu retorno para uma turnê que deve girar por todo o país este ano (2019). Fãs antigos e novos poderão ver a formação clássica quase em sua totalidade tocando todas as grandes músicas da sua fase mais aclamada. A primeira data confirmada é no Abril Pro Rock em Recife, que será uma grande oportunidade de ver os músicos em suas melhores formas tocando os clássicos. A propósito, “a formação atual possui três integrantes que gravaram o clássico The Hangman Tree (1991) – o vocalista Vladimir Korg (The Unabomber Files, ex-Chakal), o guitarrista Jairo Guedz (ex-Sepultura, Overdose e Eminence) e o baterista Chris Salles (ex-Mayhem, banda mineira) –, além de Wesley Ribeiro (Hell’s Punch, ex-Drowned e Hammurabi).”



Referências:

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