Sepultura – Morbid Visions (1986)

“Frontalmente oposto a tudo o que representava a moral cristã”

O Sepultura teve um começo bem humilde e seus primeiros passos no mundo da música foram movimentos muito, na falta de termo melhor, primários. No entanto, o que fizeram no passado (que já leva mais de 30 anos), hoje é visto pela imprensa especializada do mundo todo, como um diamante bruto que se deixou lapidar pelas asperezas da estrada. E hoje, irradia cores múltiplas que fazem referência à pluralidade do povo brasileiro e sua forma de se inserir no mundo. A banda hoje se utiliza de uma voz ativa e ativista com a qual denuncia as desigualdades e as injustiças de um mundo caótico (especialmente em seu país de origem, o Brasil), mas nem sempre foi assim. Neste disco, completamente imaturos, os meninos gostavam mesmo era de falar no capiroto. E, embora o fizessem de forma despreparada e exagerada, os clichês praticados foram bons o bastante para colocar-lhes no jogo. A rebeldia e a determinação os levaram ao topo do mundo da música pesada com Roots, mas Morbid Visions foi um meio que encontraram para criar as condições de se tornarem artistas conscientes e pessoas melhores. Podemos dizer sem medo de errar que este primeiro full lenght consiste num black metal infantil e em nada excepcional, que hoje não faz qualquer sentido, mas também devemos concordar que em meados de 1986, quando se inspiravam em bandas declaradamente (ou marketeiramente) satânicas (Venon, Hellhammer, etc. ), a história era muito diferente. Aliás, era uma postura moderna e frontalmente oposta a tudo o que representava a moral cristã em sua acepção social e política. O Sepultura, era nesse sentido, uma banda vanguardista. Tanto que absolutamente ninguém poderia imaginar que aqueles adolescentes com aspectos de loucos fugidos de hospício e sem qualquer porte físico se tornaram o que são hoje.

Morbid Visions foi gravado com o mínimo de tempo e de dinheiro que uma banda que almejasse ao sucesso profissional necessitaria para fazer algo digno. Porém, novamente contrariando as expectativas e/ou a falta dela, os caras compuseram o seu primeiro hit com o qual revelaram algum potencial. O resto era mero “vuco-vuco”, “tak-tak”. Ao que parece, a banda estava mais preocupada em chocar os símbolos de autoridade mais próximos (pais e professores) do que em criar música de verdade. E, nesse sentido, Max Cavalera era um líder nato. Jairo Guedz (guitarrista solo original) era o único músico que tocava algo decentemente, mesmo assim, no nível iniciante. Igor Cavalera (baterista) e Paulo Xisto Jr. (baixista) tinham muita vontade, mas quase não demonstravam afinidade com seus instrumentos. Mesmo assim, o disco tem momentos considerados bons por quem é do ramo, como em Crucifixion, Show Me the Wrath e Troops of Doom, mais tarde regravada e melhorada com a ajuda do produtor Scott Burns. Morbid Vision se tornou um clássico da música extrema justamente por conta das condições em que foi criado e já vendeu milhares de cópias em todo o globo.

NOTA: 8,5/10.


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