Sepultura – Roots (1996)

“Ambivalente na forma, polivalente no conteúdo”

Ao que tudo indica, parece que, para dar conta do processo de construção de Roots, algumas condições se auto impuseram ao grupo. Uma delas e, talvez a principal, foi que imergissem no universo dos nossos ancestrais diretos, os índios. A proposta era resgatar as origens brasileiras mediante a experiência dos nossos ascendentes e isto se deu através de um processo de sociabilização que ocorreu na tribo dos Xavantes, no estado do Mato Grosso/BRA. A estadia na aldeia é considerada uma das principais etapas do projeto, cujo processo consistiu de uma breve, mas produtiva interação entre músicos e indígenas, que compartilharam durante alguns dias, de costumes e ritos.

Nesse contexto, a incorporação dos elementos percussivo-tribais pela banda, constituiu-se de um processo para além da dinâmica musical. Realizaram uma fusão dos elementos peculiares ao estilo Heavy Metal com as música da terra, que resultou numa estética imanente de sons e de imagens. Roots é um disco altamente experimental. Só pra citar um exemplo, Lookaway, com Mike Patton (Faith No More), é uma das mais esquisitas do disco. Mas Roots não é experimental apenas na engenharia técnica. Permeado de uma atmosfera sombria e orgânica, as imagens produzidas pelos sons engendram na mente um ambiente que remete à uma existência selvagem, onde a natureza reivindica a sua supremacia pela terra.

Roots também é um álbum conceitual. Suas letras privilegiam os aspectos da cultura do Brasil. E, num apanhado geral, pode-se dizer que Roots Blood Rootsproclama, num misto de angústia e de alegria, o orgulho pelo “dom” de se reconhecer como brasileiro. Endangered Speciestrata da espécie humana como refém de si mesma, e mais do que isto, como uma espécie ameaçada de extinção. Dictatorshitbrada contra o golpe militar de 1964 e da ditadura instalada, que torturou e matou em nome da uma falsa proteção contra os “demônios vermelhos”. Ambushé um emocionante manifesto em defesa da Amazônia. […] Contrapondo-se ao lado pesado do disco, temos dois momentos de pura delicadeza: as instrumentais Jasco, que evoca sentimentos de contemplação e Itsári, que apresenta os anfitriões em primeiro plano, contribuindo para um dos momentos mais expressivamente musicais do disco. Roots, em sua totalidade, é uma miscelânea de sons, cores e formas que levam aos sentimentos mais diversos. Ambivalente na forma, polivalente no conteúdo. Uma obra que, sem dúvida, deu novo significado ao Heavy Metal Extremo na segunda metade da década de 90.

Por fim: Roots é o projeto de expressão artística mais universal que uma banda de metal poderia idealizar. Pode-se dizer que nele, a música se impõe como matéria de reflexão sobre a condição humana e sua relação com a natureza.

NOTA: 9,5/10


Referências:

Um comentário

  1. A banda prediletinha do ‘meu’ gigante Dave Grohl e a segunda que idolatro, rsrs…♩◕‿-。♪ Tudinho de bombom!! Eu , particularmente, penso que esse álbum foi a consagração da banda. Elevou o sepultura ao posto de banda brasileira de maior repercussão em todo o mundo. Recheado de faixas destruidoras,,sonoridade, ritmo, peso, atitude.🎼 De uma louca e deliciosa batida tribal. A revolucionária “Itsári” que gruda na cabeça, na pele.. trazendo a mata, suas águas, o cheiro dadivoso de terra vermelha… Arrepios e mais arrepios toda vez que a ouço. Álbum que não envelhece nunca… é celebrado até hoje. Deliciosa obra-prima. Post sensacional, Ricardo!!🎶🎶🎸

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